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Ilha do Faial, Açores

   
  A ilha Azul História Património Festividades Gastronomia
 

Os 21 quilómetros de comprimento e 14 quilómetros de largura máxima dão um recorte quase pentagonal aos 173,1 km2 de área do Faial. Terceira ilha mais habitada no arquipélago, com pouco mais de 15 mil residentes (dados de 2008), integra o Grupo Central e é o vértice mais a Oeste das chamadas "ilhas do triângulo". Está localizada entre os 38º 33’ de latitude Norte e 28º 38’ de longitude Oeste.

Do miradouro do cone vulcânico do Cabeço Gordo, ponto mais alto da ilha com 1043 metros, o solo parece deslizar suavemente até se aplanar junto ao mar. O caminho até ao centro do Faial, dominado pela grandiosa Caldeira, justifica a designação de Ilha Azul. Uma profusão de hortênsias traz para terra os tons do mar, provocando o namoro entre o azul floral e o verde da vegetação. Subitamente, tudo muda no Vulcão dos Capelinhos, paisagem onde se prova que o cinzento também pode deslumbrar.

Capelinhos

     
   

Entrar na área do Vulcão dos Capelinhos equivale a aterrar na superfície lunar. Montanhas acinzentadas terminam em cortes abruptos junto ao mar, numa dança de cores e perfis contrastantes. Perde-se a noção do tempo enquanto se deixam pegadas no solo escuro ondulante, fruto dos restos de um vulcão submarino que cuspiu cinzas e escórias entre 1957 e 1958. Na altura, o acontecimento teve repercussão na comunidade científica internacional. Aos locais, calhou a pesada factura de casas e plantações destruídas. O farol dos Capelinhos assistiu silencioso à emigração de parte da população. Agora, a torre apagada integra com orgulho um magnífico Centro de Interpretação. A visita termina com a subida ao topo, para uma experiência visual e emocional incomparável.

Vulcão dos Capelinhos

 

Caldeira

Símbolo genético da ilha, a Caldeira espanta pela imensidão e pelo revestimento de flores, plantas e árvores que brilham sob a luz solar. As paredes dos sete quilómetros de perímetro estão atapetadas por faia, zimbro, musgo, cedro, feto e hortênsia, entre outras espécies. No extenso fundo, uma lagoa acompanha vestígios de floresta primitiva laurissilva, em mais um apaixonante jogo de cores.

Caldeira do Faial

 

Montes e miradouros

Apesar de pouco acidentado, o Faial revela-se um promontório privilegiado para as ilhas circundantes. Junto às ruínas do Farol da Ponta da Ribeirinha, aprecia-se o sublime dorso de São Jorge.No Cabeço Gordo, as atenções podem virar-se tanto para a mesma ilha do dragão, como para o Pico. Na Ponta da Espalamaca, no miradouro junto ao monumento dedicado a Nossa Senhora da Conceição, os horizontes marítimos terminam no Pico e São Jorge, podendo atingir a Graciosa se o dia estiver límpido.

Uma inversão do olhar permite descobrir o interior do Faial, por vezes assinalado por típicos moinhos de vento pintados de vermelho. No Monte Carneiro, de um lado ainda o mar, a entrar pela marina da Horta. Do outro, os campos cultivados e floridos do Vale dos Flamengos e extensões de verde a subirem até à Caldeira. No lado oposto da ilha, na Ribeira Funda, a mesma percepção de interior azulado pelas fileiras de hortênsias. E no caminho entre o Varadouro e Castelo Branco, um rochedo rodeado de água e povoado por aves marinhas solicita atenção. É o Morro de Castelo Branco a procurar fazer jus ao nome, nesta ilha dos arco-íris naturais.

 

Presume-se que o descobrimento português da ilha terá ocorrido durante o período de 1449–1451, logo após o mapeamento da Terceira. O nome inicial de Ilha de São Luís será mais tarde substituído por Faial, inspirado na abundância de faias-da-terra encontrada. Os primeiros povoadores oficiais, de origem flamenga e portuguesadeverão ter chegado em 1467-1468. Sabe-se da história de Josse Van Huertere, nobre flamengo que regressa ao Faial após uma primeira expedição fracassada em busca de estanho e prata. Atraído pela fertilidade dos solos, torna-se capitão do donatário em 1468. Sob autorização real de D. Afonso V, traz novos colonos da Flandres que habitam o Vale dos Flamengos antes de se instalarem na Horta.

Os estrangeiros introduzem o cultivo do pastel. As exportações da planta tintureira e de trigo representam durante dois séculos os esteios da economia faialense. A ocupação espanhola em 1583 e os ataques dos corsários marcam um período de delapidação do património e riqueza da ilha. A erupção vulcânica de 1672 também provoca elevada destruição.

A bonança do século XVII, após a Restauração, surge em forma de porto de abrigo. A Horta transforma-se num entreposto da navegação entre a Europa e os continentes americanos. Exporta-se vinho e aguardente originárias das uvas do Pico, São Jorge e Graciosa, cuja fama leva à introdução do cultivo da vinha em solo faialense. No século XVIII, a ilha participa activamente no ciclo de produção e exportação da laranja, fonte de enriquecimento do Arquipélago. O porto da Horta vive uma época dourada, servindo de escala de abastecimento para os vapores que cruzam o Atlântico e para a frota baleeira norte-americana.

Em meados do século XIX, doenças infestantes dizimam vinhedos e laranjais no espaço de uma década. Resistente, o Faial ganha dimensão logo no início do século XX, com a inauguração em 1901 do observatório meteorológico na Horta. A transmissão dos importantes dados para a América do Norte e para a Europa efectua-se por cabo telegráfico submarino. Graças à localização, a ilha transforma-se num centro nevrálgico de telecomunicações. Sucessivamente, diversas companhias internacionais instalam cabos submarinos que ligam continentes com passagem pelo Faial.

Hidroaviões na HortaA aviação também aproveita a posição privilegiada da Horta, escala dos primeiros hidroaviões que atravessam o Atlântico Norte. Na década de 1930 e 1940, as importantes companhias de aviação alemã, britânica, francesa e norte-americana escolhem o Faial como local de amaragem dos respectivos hidroviões.

O aproveitamento desta benesse geográfica manteve-se até aos nossos dias. A marina da Horta é um dos portos de abrigo mais famosos do mundo. E o turismo juntou-se ao comércio, pecuária, agricultura e pesca, na dinâmica económica da ilha, que serve de sede ao Parlamento Regional dos Açores.

 

Arquitectura

O anfiteatro composto pelas baías da Horta e Porto Pim, enquadrado por casario e torres sineiras, tem posto de observação excepcional no Monte da Guia. Desce-se ao nível das ruas para encontrar a imponente Igreja Matriz de São Salvador, de interior ricamente decorado com talha dourada e painéis de azulejos. A traça arquitectónica das casas denota o espírito internacional da ilha. Os testemunhos deste cosmopolitismo secular foram enriquecidos pelos edifícios e vivendas construídos no século XX para alojarem as comunidades de ingleses, alemães e americanos que trabalharam nas estações cabo-telegráficas. O ambiente eclético continua a marcar a Horta, tendo no mítico Peter Café Sport um local de encontro de velejadores e viajantes do mundo inteiro.

Marina da Horta

Inaugurada em 1986, a marina da Horta é o prolongamento moderno de um porto com importância secular. É tradição que os iatistas deixem uma pintura sobre o cimento cinza dos paredões. Segundo a lenda, este acto levará o barco em segurança até ao destino. Enquanto uns seguem viagem com o sentido de dever cumprido, quem chega à marina depara com uma galeria de arte a céu aberto. E o mundo inteiro passa a caber no molhe de um porto açoriano, representado por criativos e coloridos desenhos.

Cultura

Se bem que existam dúvidas sobre o local de nascimento de Manuel de Arriaga, é certa a proveniência de uma família aristocrática da Horta. Cursou Direito em Coimbra e mais tarde destacou-se como político, sendo um dos principais ideólogos do Partido Republicano. Em 1911, o advogado açoriano foi eleito como primeiro Presidente da República Portuguesa.

Parte da história do Faial pode ser conhecida no Museu da Horta, instalado no antigo Colégio dos Jesuítas, através de colecções nos domínios documental, etnográfico, fotográfico e artístico. Nas antigas instalações da Fábrica da Baleia de Porto Pim, funciona actualmente um núcleo museológico, composto pela exposição de maquinismos e diverso espólio baleeiro. Ancorado no Peter Café Sport, o Museu do Scrimshaw mostra uma preciosa colecção de peças de dentes e ossos de cachalote com gravações e baixos-relevos. Testemunhos da época em que a baleia era fonte de rendimento de inúmeras famílias do Arquipélago e fonte de inspiração para os artesãos locais.

Artesanato

Os trabalhos faialenses em miolo de figueira são tão famosos que o Museu da Horta tem uma sala inteiramente ocupada pelo espólio de Euclides Rosa, grande mestre e divulgador desta arte. Os motivos das delicadas peças são variados, representando desde flores a navios, animais a edifícios emblemáticos. Na Escola de Artesanato do Capelo, aposta-se em preservar e dinamizar o talento das artesãs locais, vertido em flores de escamas de peixe ou bordados a palha de trigo sobre tule.

 

Igreja na Horta

 

 

Marina da Horta

 

 

Manuel de Arriaga

O dia 24 de Junho assinala uma festa são-joanina originária dos tempos de colonização da ilha por fidalgos vindos da Terceira. A romaria movimenta filarmónicas de toda a ilha até ao Largo Jaime Melo, onde está situada a ermida erguida pelos nobres devotos de São João. Concertos musicais, bailes folclóricos, desfile de marchas populares marcam o dia festivo, caracterizado pelas famílias e grupos de amigos que levam farnéis para comer ao ar livre ou param nas tasquinhas para apreciar os petiscos da gastronomia local.

Embora a Festa do Espírito Santo também tenha tradição no Faial, a grande manifestação religiosa da ilha é a Festa da Nossa Senhora das Angústias. Procissão e festejos populares enchem as ruas da Horta no sexto domingo após a Páscoa, numa celebração que remonta ao tempo do povoamento e a uma imagem trazida da Flandres.

Semana do MarO azul é cor dominante em Agosto. No 1.º Domingo do mês de Agosto, para comemorar a Festa da Senhora da Guia, um cortejo de embarcações escolta a imagem da Virgem desde o areal de Porto Pim até ao porto da Horta. A animação prossegue com a Semana do Mar. Inicialmente dedicada aos iatistas, a festa é agora partilhada por faialenses e visitantes. O extenso programa de actividades envolve espectáculos musicais, exposições de artesanato, feira de gastronomia, regatas de botes baleeiros e diversas provas desportivas de modalidades aquáticas que animam as baías da Horta e de Porto Pim.

O polvo guisado com vinho, comum a muitas ilhas do Arquipélago, é um dos pratos mais típicos do Faial. Na mesa, a importância marítima alastra para o caldo de peixe e a caldeirada. Pão e bolo de milho são acompanhamentos preferenciais. Nas carnes, morcelas e linguiças servem de petisco ou refeição, quando servidas ao lado do inhame. A receita da molha de carne busca auxílio a especiarias como pimenta, cominhos e canela para temperar o generoso refogado em que se coze a carne de vaca.

Na doçaria, são típicas as Fofas do Faial. Os bolinhos de massa aromatizada por sementes de funcho, cozem no forno antes de serem recheados com um creme à base de gemas de ovos, leite, açúcar, farinha e raspa de limão.

Horta - clique para aumentar
"Webcam sobre a cidade da Horta"
© Climaat

 

 

 

 

"E todos, mal desembarcam, logo se dirigem para o Café Sport, a dois passos do cais de Santa Cruz, em pequena rua, com casario de cores variadas e de um só andar, do lado da terra e viradas para a ampla e abrigada baía, não faltando o Pico ao fundo. (...) É que para falar de Peter não podemos deixar naturalmente de lembrar seu pai, esse também simpático “meio-velhote”, de grisalho bigode e fumando cachimbo, quando propriamente o conhecemos. Preferia então já ficar sentado no canto, registando os nomes dos iates e tripulantes em cadernos de papel almaço que continuam a ser guardados religiosamente. (...) Nos outros meses do ano, o Café Sport transformar-se-ia em segunda Torre de Babel se lá não estivesse o Peter a falar fluentemente o inglês e o francês e holandês com desembaraço, arranhando ainda outras línguas... (...) Além de belo exemplo de continuidade duma tradição de família, que se tem esquecido, dá-nos ainda a certeza de que por esse mundo fora, repetimos, o Faial continuará a ser a ilha do Peter."

Armando Amaral, Ilha Terceira
Setembro de 1981

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